A Cinemateca de Lisboa abre na próxima terça-feira (10) uma mostra de nove filmes da atriz e cantora em Hollywood, produzidos nos anos 40 e 50. O ciclo "Carnaval com Carmen Miranda" abre com um curto documentário de Maria Guadalupe e Jorge Ilelli, de 1969, sobre a cantora e prossegue com "Sinfonia de Estrelas" (1943), de Busby Berkeley, filme no auge do technicolor e um dos mais conhecidos de sua trajetória.
Acredito que a visão em relação à figura de Carmen está mudando, as pessoas estão vendo com mais clareza o impacto que ela causou tanto na nossa cultura como na dos Estados Unidos", observa Helena Solberg, diretora de "Banana Is My Business.
Carmen Miranda foi uma mulher frágil escondida sob um chapéu de frutas
"O legado dela está sendo mais valorizado, na época havia uma elite que não queria ver a imagem do país associada a Carmen e às músicas que cantava. Mas ela continua sendo um ícone tão forte que jamais envelheceu e segue despertando o interesse de diferentes gerações", completa Solberg.
Em Portugal há mais barulho. No dia 18, será exibido "Copacabana" (1947), filme em preto e branco de Alfred Green na qual Carmen Miranda contracena com Groucho Marx numa história que se passa num bar de Nova York --momento em que interpreta "Tico-tico no Fubá".
No sábado, uma maratona de cinco filmes, incluindo "Férias nas Montanhas" (1942), de Irving Cummings, e "A Canção da Felicidade" (1946), de Lewis Seiler. Também está na programação "O Castelo das Surpresas" (1953), de George Marshall, o último filme de Carmen, feito dois anos antes da sua morte, que conta com a participação de Jerry Lewis e Dean Martin.
O ciclo encerra com "Uma Noite no Rio" (1945), de Irving Cummings, e "Serenata Boêmia" (1944), de Walter Lang, musical em que Carmen Miranda interpreta a cartomante Princesa Querida e canta "O Que é Que a Baiana Tem".
No Rio, a Brazilian Bombshell ganha uma exposição no museu que leva o seu nome, no Flamengo. "Carmen Miranda, A Pequena Notável" abre hoje com palestras de Ruy Castro, autor da biografia "Carmen", e da secretária de Cultura Adriana Rattes. Nesta terça-feira, Marcos Sacramento assume o espaço, com um show dedicado inteiramente ao repertório de Carmen.
"Ela foi a rainha do suingue, até hoje não superada. Estava ligada a uma estética que a Tropicália exploraria décadas depois", aponta Sacramento. "O estereótipo criado após sua ida para Hollywood infelizmente ofuscou a musicalidade impressionante que ela tinha".
Fonte: UOL
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