Ação integrada garante direitos fundamentais ao povo indígena Puyanawa em Mâncio Lima

Com a apresentação de danças e cantos tradicionais da cultura indígena do povo Puyanawa, iniciou na manhã desta quarta-feira, 20, os atendimentos da ação integrada que visa promover acesso à justiça, cidadania e direitos da comunidade indígena que reside na Aldeia Barão, localizada no município de Mâncio Lima, a cidade do Acre mais ocidental do país.

 

Marcado por uma história de luta e resistência, o povo Puyanawa celebra a conquista histórica do reconhecimento da etnia indígena nas certidões de nascimento, direito este, garantido a toda comunidade Puyanawa.

 

O cacique Joel Lima, também chamado de “Divake”, em tradução, filho da floresta, conduziu a apresentação cultural e dedicou a conquista do povo Puyanawa à representante mulher mais velha da comunidade, Railda Manaitá, de 92 anos.

 

“Hoje saímos do passado sofrido em que fomos proibidos de usar o nome do nosso povo e estamos concretizando nosso sonho em ter a oportunidade de ter o que nunca tivemos, de reafirmar nossa cultura, nossa história, nossa tradição”, destacou o cacique.

 

Na ocasião, o cacique Joel Lima e sua esposa Maria Alice Martins de Lima Puyanawa receberam a certidão de casamento, já retificada com a inclusão do nome da etnia, bem como atualizaram os demais documentos pessoais. “É um sentimento de muita alegria, pois esse documento confirma ainda mais o que nós somos, povos originários, é a nossa identidade”, disse Maria Alice Puyanawa.

 

O defensor público Diego Luiz Sales, que atua na Unidade Defensorial de Cruzeiro do Sul, e participa do evento, definiu a ação como momento reparador histórico para a comunidade indígena. “A Defensoria Pública como instituição permanente e garantidora dos mais diversos direitos fundamentais, se faz presente nesta ação integrada de modo a concretizar e materializar tais direitos, sobretudo, os relacionados à personalidade, como o direito ao nome”, frisou.

 

A dona de casa, Maria Enedi de Araújo, de 59 anos, que ainda não tinha solicitado a segunda via da certidão, aproveitou a ação para retificar os documentos na Defensoria Pública. “Eu nem sabia que meus documentos estavam errados, fiquei sabendo quando fui retirar meu benefício no banco, agora tenho que refazer todos, isso tem me causado muitos problemas, então ter esse atendimento aqui é muito bom, pois não preciso dar mais viagens para resolver”, contou a assistida.

A jovem Uenista Muniz dos Santos Puyanawa, de 17 anos, também celebrou a conquista de seu povo. “É um momento de muita felicidade, esse documento é um símbolo muito importante para todos nós”, disse.

 

A juíza de Direito da Comarca de Mâncio Lima, Glaucia Gomes, destacou a satisfação em participar da atividade. “Vocês não precisam nos agradecer, estamos fazendo uma obrigação do estado, um direito que está sendo garantido. Enquanto juíza para que eu possa decidir algo, eu preciso conhecer, e estar nesse ambiente, conhecer a realidade da comunidade é um motivo de muita alegria, principalmente, em fazer parte desse momento histórico”, frisou.

 

União das instituições

 

A ação integrada é composta pela Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), por meio do programa Defensoria itinerante, cidadania mais perto de você, pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), através do Projeto Cidadão e pelo governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh).

 

São parceiros da ação, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Receita Federal, Prefeitura de Mâncio Lima, bem como, o governo do Acre, através da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), Polícia Civil por meio do Instituto de Identificação e Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi).

 

O diretor de Assistência Social, Hilquias Almeida, destacou o trabalho em conjunto para a realização do evento. “O governo do estado adjunto com todas as instituições aqui representadas, ratifica nosso compromisso para corrigir esse erro e promover o direito não somente do nome, mas de todo serviço social, jurídico e de assistência aqui presente para toda comunidade”, disse.

 

A ação segue sendo realizada até sexta-feira,22, de 8h às 15h, na Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Ixubay Rabui Puyanawa, na Terra Indígena Puyanawa.

 

Equipe DPE

 

Participam da ação, a ouvidora-geral da DPE, Soleane Manchineri, as assistentes de gabinete, Francisca Elecxandra e Samile Oliveira, a coordenadora do Setor de Atendimento Itinerante, Luciana Souza, o servidor do Núcleo da Cidadania, Rivelino Castro, o servidor do Setor de Tecnologia da Informação, Paulo André, e os servidores do Setor de Transporte, Arnaldo Luiz e Ednilson Araújo


Victor Augusto

Prazer, Victor Augusto, 37 anos, acreano, jornalista e académico de direito. Por isso, criei este espaço onde compartilho minhas experiências e aprendizados. Afinal, acredito que conhecimento deve ser diário para nossa evolução. Por aqui, abordo assuntos sobre estilo de vida, com ênfase em levar uma vida baseada na informação, já que é minha área de formação e atuação.

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