O que acontece quando estamos a sós


Gosto do jeito que ela me olha quando estamos sozinhos. Tem alguma coisa naquele sorriso, naquela sobrancelha levantada, que me faz esquecer o que eu estava pensando. Ela sabe disso. E acho que gosta de saber.

Às vezes, nem precisa dizer nada. Chega mais perto, encosta em mim e espera minha reação. Eu a olho, sorrio e a puxo para um abraço. É uma brincadeira nossa, feita de gestos pequenos, de provocações carinhosas e daquela vontade de ficar perto mesmo quando não há nada para dizer.

Temos uma música para quase tudo. Roberto Carlos para lembrar que os detalhes fazem diferença, Caetano para acompanhar as noites compridas, Chico para quando a saudade resolve aparecer. Mas, quando estamos juntos, quase nunca precisamos de trilha sonora. O som da respiração dela, uma risada inesperada e o silêncio confortável já são suficientes.

Gosto de observar seu rosto de perto. O jeito como fecha os olhos quando recebe um carinho, como muda a expressão quando percebe que estou distraído olhando para ela. Às vezes, pergunta se estou gostando. Respondo com um sorriso, um beijo ou um abraço mais apertado. Ela entende. Nós nos entendemos.

É bom descobrir que a intimidade não depende apenas dos grandes momentos. Está na mão que procura a outra debaixo do lençol, no beijo antes de dormir, na conversa sem pressa e na liberdade de rir de qualquer bobagem. Está também na confiança de poder dizer o que se quer, respeitar o tempo do outro e encontrar, juntos, um jeito de fazer tudo ser bom para os dois.

Quando ela deita a cabeça no meu peito, sinto vontade de prolongar a noite. Não porque tenha medo do dia seguinte, mas porque gosto de estar ali. Sem compromissos, sem precisar impressionar ninguém, sem a obrigação de transformar cada instante em alguma coisa extraordinária.

Talvez seja isso que mais me atraia nela: a maneira como consegue me deixar à vontade e, ao mesmo tempo, despertar em mim aquela vontade de conquistá-la outra vez.

A gente se aproxima, troca carinhos, conversa sobre o que aconteceu durante o dia. De vez em quando, um olhar muda o rumo da conversa. Rimos, nos beijamos e esquecemos o relógio.

Não sei se o amor está nas grandes declarações ou nas promessas feitas de madrugada. Sei que gosto quando ela fica mais um pouco, quando me abraça sem motivo e quando me olha como se ainda guardasse alguma surpresa para nós dois.

E, quando a noite termina, o que fica não é apenas a lembrança dos beijos. É a vontade de encontrá-la novamente, de ouvir sua voz, de sentir seu cheiro e de descobrir, mais uma vez, como alguém pode ser tão familiar e continuar despertando curiosidade.

Talvez amar seja isso: conhecer alguém cada vez melhor sem perder a vontade de descobrir o que ainda existe por conhecer.

E eu, sinceramente, ainda quero saber muito sobre ela.

Victor Augusto

Prazer, Victor Augusto, 37 anos, acreano, jornalista e académico de direito. Por isso, criei este espaço onde compartilho minhas experiências e aprendizados. Afinal, acredito que conhecimento deve ser diário para nossa evolução. Por aqui, abordo assuntos sobre estilo de vida, com ênfase em levar uma vida baseada na informação, já que é minha área de formação e atuação.

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