A Igreja Católica e sua atuação no Acre

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt. 16.16-19).

Entre as denominações religiosas, a Igreja Católica ainda é a maior em todo o mundo.

Sua atuação é constante e está diretamente ligada a comunidade, antes mesmo do poder público criar suas secretarias e projetos conforme estabelecidos por lei.

A história de modernização do Estado do Acre se mistura ou se dá a partir da atuação da igreja se instalando na cidade de Rio Branco, capital acreana. Até 1919, a igreja católica no Acre era vinculada ao Amazonas, por decisão do Papa Bento 15, foi criada a prelazia do Acre, dando mais autonomia à igreja no extremo oeste da região.

padre André Ficarelli
Com relatados encontrados nos livros de história, a Igreja Católica composta inicialmente pelas servas de Maria, tinha a cidade de Sena Madureira, interior do estado, como sede da diocese acreana. Onde alguns anos depois, mudou-se para Rio Branco. Porém não havia um local que abrigasse o bispo e as irmãs para realização das celebrações religiosas.

Foi com a vinda de um padre italiano, com conhecimentos em arquitetura e construção, que o bispo da época solicitou ao jovem rapaz, que colocasse seu conhecimento em prática para a construção do que seria a catedral dos dias de hoje.

O nome do padre era André Ficarelli, natural de Reggio Emilia, norte da Itália, nascido no dia 12 de outubro de 1922. Ele não se chamava Pedro, mas com seu trabalho, ajudou a edificar a igreja católica no Acre. E foi com pedra, tijolos e cimento que escreveu o nome do catolicismo no estado.

Pedro Gadelha - F. Victor Augusto
Mas não bastava somente ter o conhecimento e a boa vontade de fazer. Naquele período a única forma de que qualquer material mais trabalhado chegasse ao Acre, só era possível por meio de navios que atracavam as margens do Rio Acre.

Durante os primeiros anos de formação da capital acreana, a dificuldade não estava somente no transporte de material, mas também na possibilidade de se conseguir maquinário pesado para a realização da encomenda do bispo.

Padre André com a iluminação de Deus, encontrou o criativo e visionário morador do bairro Cadeia Velha, Pedro Gadelha, que além de proprietário de uma das maiores serrarias da capital, criava engenhocas para ajudar atender as dificuldades daquele período em que não existiam máquinas ou ferramentas que se encontram hoje com facilidade.

As pedras vieram da Itália, Portugal e até da Espanha por meio dos navios que atracavam nas proximidades de onde hoje existem as pontes, eram transportadas com o auxílio de instrumentos e homens que com determinação, levantaram a primeira edificação feita de pedras e cimento no Estado do Acre.

A Catedral Nossa senhora de Nazaré é considerada o coração de Rio Branco por esse feito histórico e quase esquecido pelo tempo. Além dela, o padre e o construtor ergueram o Palácio do Bispo e prédios históricos como o antigo prédio da justiça, onde hoje funciona o Mohan, o prédio onde funcionou o Colégio Meta, a Igreja da Comunidade Nossa Senhora da Conceição e o Colégio Imaculada Conceição.

A catedral foi só o começo. Depois dela, vieram outras obras.  Além da capital, Rio Branco, os municípios de Xapuri e Brasiléia ganharam igrejas.

Dom Giocondo Maria Grotti, então bispo de Rio Branco, vendo a carência em que o Hospital de Base e a Santa Casa se encontravam, pediu ao padre que elaborasse a criação de um novo hospital. Nascia o hospital Santa Juliana.

Construtor respeitado, padre André chegou a ser chamado para auxiliar em outras obras não ligadas à igreja. Padre André faleceu no dia três de setembro de 2015, deixando grandes feitos que serão passados pelas gerações.

Esse material foi retirado de uma entrevista feita com o padre André e o senhor no ano de 2008.

 

Victor Augusto

Prazer, Victor Augusto, 37 anos, acreano, jornalista e académico de direito. Por isso, criei este espaço onde compartilho minhas experiências e aprendizados. Afinal, acredito que conhecimento deve ser diário para nossa evolução. Por aqui, abordo assuntos sobre estilo de vida, com ênfase em levar uma vida baseada na informação, já que é minha área de formação e atuação.

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