Número de jornalistas atingidos em manifestações chega a 291

Três profissionais que cobriam a manifestação de ontem (4.set.2016) em São Paulo foram deliberadamente agredidos pela Polícia Militar de São Paulo. Dois se feriram: Felipe Souza (BBC Brasil)foi atingido por golpes de cassetete; Mauricio Camargo (Agência Eleven) foi atingido por uma bala de borracha. Bombas de efeito moral foram lançadas em direção ao repórter Guilherme Balza (CBN), que não se machucou.

Todos estavam identificados como imprensa e registravam a ação da PM-SP, que lançava bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água contra pessoas que já dispersavam no Largo da Batata, região oeste de São Paulo. Mesmo após a dispersão, a polícia continuou a lançar bombas contra jornalistas, quando não havia mais manifestantes na praça, segundo a repórter do El País Brasil, Marina Rossi.

Com a repressão da Polícia Militar de São Paulo ao ato contra o governo de Michel Temer na capital paulista, o número de casos registrados pela Abraji de violência contra jornalistas na cobertura de protestos chegou a 291. O levantamento é feito desde junho de 2013 (veja íntegra).

Desde o início do levantamento, as forças de segurança pública se sobressaem como autoras das violações à liberdade de imprensa e ao direito à informação. Dos 291 casos em todo o país, 71% foram cometidos pela polícia.

No estado de São Paulo, onde houve 142 casos de violência contra comunicadores durante protestos, 74% tiveram a Polícia Militar como autora. Mais da metade deles (62%) foram propositais, ou seja, o profissional estava identificado ou se identificou como jornalista a serviço e mesmo assim foi detido ou agredido.

Os números mostram a persistência da PM-SP em tentar interditar o direito à informação por meio da força -- uma prática típica de governos autoritários. A Abraji exige que a corporação e a Secretaria de Segurança Pública revejam os procedimentos adotados em manifestações públicas e pare de alvejar jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, antes que consequências ainda piores aconteçam.

Carros e prédios são alvo de manifestantes

Também neste domingo (4.set.2016), no Rio de Janeiro, o engenheiro Rubem Ricardo Outeiro de Azevedo Lima chutou o carro da reportagem do Estadão. Foi repreendido por outros manifestantes e levado pela polícia ao 12º DP, onde foi autuado por dano ao patrimônio. 

Na semana passada, o prédio da Folha de S.Paulo foi alvo de pichações e teve de ser fechado durante um protesto em 31.ago.2016. No dia seguinte, a sede da Gazeta do Povo também foi pichada e apedrejada.

A Abraji condena o constrangimento a profissionais por manifestantes. Este comportamento não é compatível com a democracia e fere o direito de toda a sociedade à informação.

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